O poder evocador do chá

El poder evocador del Té

“O que é o amor?” Pergunta uma menina ao seu mestre. Esse não responde.
“Como sei se estou apaixonada?” volta a perguntar.
O mestre se cala mais uma vez e prepara uma fumegante xícara de chá
A menina responde: “Agora compreendo”

Muitas vezes uma comida ou música nos conduz a um momento especial no passado, nos transporta a lugares longínquos ou nos provoca sensações diversas. Isso acontece frequentemente com o chá. Podemos estar relaxados ou até tensos quando, sem que nos demos conta, um gole de nossa bebida favorita nos transporta a essa ruazinha charmosa de Paris, à risadas com nossos amigos queridos, ou ainda às amorosas tarde de verão que passávamos com nossa avó. E então, um delicado, porém autêntico sorriso se desenha em nosso rosto…. esse é o poder evocador do chá.

De todos os nossos sentidos, o olfato é aquele mais intimamente relacionado com as nossas recordações. Os aromas podem nos remeter, em milissegundos a momentos bem antigos de nossa infância, ou despertar emoções graças a seu enorme poder evocador. Nossa experiência olfativa ou memória sensorial vai se alimentando ao longo de nossa vida e tem uma grande importância emocional, dada a sua capacidade atemporal de associação com situações do passado, às vezes felizes, às vezes nem tanto. “um perfume pode os apagar o  passar dos anos ao recordar um odor” observa Walter Benjamin.

O sentido da vista também tem poder evocador, mas em menor medida: as cores podem provocar a evocação de sensações. Por exemplo, quase todos associamos a cor vermelha à uma sensação de calor ou a cor azul à uma sensação de frio. Mas com o olfato a associação é muito mais precisa e vívida, razão pela qual pode provocar mudanças emocionais quase imediatas.

O olfato e as emoções

A relação entre o olfato e as emoções tem sido amplamente estudada. Se baseia no funcionamento do sistema límbico que rege todos os circuitos neurais que controlam as motivações e o comportamento emocional.  Ao receber uma sensação olfativa, extensas áreas do cérebro humano, as quais também processam a memória, a linguagem e a resposta emocional, ativam seu funcionamento. Por isso, ao receber o estímulo de um aroma, ou seja, quando ingressam moléculas capazes de estimular o sistema límbico, isso dispara um mecanismo em nosso cérebro processado no sistema límbico que traduz esses estímulos em atos, sensações e evocações de recordações vívidas.

“Nenhum outro sentido tem um poder de sugestão tão forte, o poder de despertar antigas memórias com uma repercussão emocional ampla e profunda, enquanto ao mesmo tempo, nenhum outro sentido proporciona impressões que mudam com tanta facilidade o tom emocional, em harmonia com a atitude geral do receptor. Os odores são, pois, especialmente aptos tanto para controlar a vida emocional, como para transformar-se em seus escravos”. H.Ellis.

Por isso o chá tem esse grande poder evocador. Eu sempre digo que o tea blending é uma ferramenta perfeita para expressar sentimentos e conectar pessoas, ainda que estejam longe. Por meio de uma xícara de chá, nós, os –tea blenders  podemos expressar emoções, gerar sentimentos e até modificar o estado de ânimo da pessoa que a bebe. Uma xicara de chá pode nos remeter à nossa infância, pode nos retornar a uma situação longínqua no tempo e espaço, permitindo dar rédeas à nossa imaginação. Em qualquer momento do dia, uma xicara de chá representa um momento de relax e distensão, onde nos deixamos levar aonde o chá nos guie. Uma xícara de chá é como uma passagem para aquela viagem mais sonhada.

#ACulturaDoChá

Chanoyu, a cerimônia do chá japonesa

ceremonia del té japonesa

A cerimônia do chá japonesa é uma tradição milenar nipônica que segue os princípios do zen budismo e é regida por um rigoroso protocolo. O matcha é o chá protagonista. Sem dúvida, uma cerimônia digna de admirar!

Em que consiste a Cerimônia do Chá?

A cerimônia do chá japonesa, conhecida como Chanoyu, não é somente uma forma particular de servir chá como também um culto à arte. Mas, comecemos pelo princípio, você saberia o que significa Chanoyu? … Literalmente, Chanoyu quer dizer “água quente para o chá”. Já Chadô (ás vezes escrito como Sadô) é a filosofia na qual se insere a aprendizagem da cerimônia e significa “o caminho do chá”.

Em termos concretos, a cerimônia japonesa do chá consiste em servir o chá verde matcha de uma forma protocolar, buscando conseguir a maior economia possível de movimentos. É influenciada pelo Zen Budismo e é a mais estruturada de todas as cerimônias orientais, já que é regida por um protocolo bem rigoroso.

Também podemos definir essa cerimônia como o costume social mais tranquilo praticado pelas classes altas japonesas desde o século XII d.C. Seu objetivo é a criação de uma atmosfera especial, na qual os participantes saboreiam o chá e admiram pinturas da natureza e outras obras de arte. Além disso, é um convite a esquecer todos os objetos materiais e mundanos para purificar a alma e assim alcançar um estado de harmonia espiritual com o universo. É um ritual de reflexão e autoconhecimento.

Voltando ao chá em ervas, em minha viagem ao Japão, tive a oportunidade não somente de conversar com as pessoas envolvidas no processo, mas também de participar da primeira colheita de chá daquele ano, um privilégio para um amante de chá.

Quem alguma vez participou de uma cerimônia de chá ou viu alguma foto, certamente percebeu que todos os materiais e equipamentos utilizados no Chanoyu têm uma construção, representação ou expressão artística. Os utensílios utilizados para preparar o chá são verdadeiras obras de arte, delicadas e construídas com uma finalidade particular dentro da cerimônia do chá. Vejamos cada um deles:

  • Chawan: é o copo onde se prepara o chá matcha. Trata-se de uma tigela (ou bowl) de tamanho grande de forma a permitir bater o chá em pó matcha em seu interior.
  • Chaire o Natsume: é o recipiente para armazenar o chá.
  • Chasen: é o batedor de bamboo, se utiliza para misturar o chá matcha com a água.
  • Chashaku: é a colher de bamboo com a qual se mede a quantidade correta e se retira o chá matcha.
  • Hishaku:é a grande concha de bamboo que se utiliza para pegar a água.
  • Chakin: é o pano branco de linho que se utiliza durante a cerimônia para limpar a tigela de chá.
  • Fukusa: é o pano de seda utilizado durante a cerimônia para limpar o chashaku e o chaire.

É importante destacar que esses utensílios costumam ser valiosos objetos de arte.

Segundo o Zen Budismo, a verdadeira beleza reside na singularidade e simplicidade e essas são umas das premissas da cerimônia de chá japonesa. Alguns chegam a defini-la como portadora de uma “estética de austera simplicidade e refinada pobreza”.

Os princípios do Chanoyu

Chanoyu se baseia em quatro princípios: Wa (harmonia), Kei (respeito), Sei (pureza) e Jaku (tranquilidade). Todos os objetos presentes na cerimônia, assim como as atividades que nela se realizam, buscam seguir esses princípios. Acredita-se que a celebração da cerimônia com plena consciência de esses princípios tem o poder de transformar a consciência humana. Você imaginava que fosse assim tão poderosa?

Como se introduz o Chá Matcha no Japão?

Para entender a cerimônia de chá japonesa é importante conhecer também como e quando se introduziu o chá matcha (chá verde em pó) no Japão. Você pode não acreditar, mas esse chá começou a ser bebido na China durante a dinastia Song (960-1279) mas se popularizou no Japão quando os monges budistas japoneses aprenderam a beber o chá com os chineses. Os japoneses o levaram a seu país e assim desenvolveram a cerimônia de chá japonesa.

Na segunda metade do século XVI, Sen-no Rikyu – conhecida figura histórica da cerimonia japonesa do chá – estabeleceu de modo definitivo a forma geral do Chanoyu, relacionada diretamente com a personalidade japonesa e com o Zen Budismo. Foi ele quem introduziu o conceito de ichi-go ichi-e, em tradução literal, “cada encontro, uma oportunidade”: a crença de que cada encontro deveria ser guardado como um tesouro na memória já que jamais irá se repetir. É nossa frase preferida e com a qual abrimos cada encontro no El Club del Té. É um convite a nos concentrarmos no presente em plena consciência, desfrutando do que ocorre aqui e agora. Garanto a você que quando se vive desta forma, cada momento pode ser mágico.

Onde se realiza o ritual?

O espaço onde se realiza a cerimônia japonesa do chá também é digno de se admirar e desfrutar: o jardim que conduz à casa de chá geralmente conta com fontes de água, naturais ou artificiais, plantas belíssimas e árvores dispostas de forma planejada e estratégica. A casa de chá, sukyia ou chayutsu, é cuidadosamente desenhada para celebrar a cerimônia. Por último, uma espécie de nicho ou tokonoma , que se encontra dentro da casa de chá, é o espaço eleito para se colocar as peças de arte para admiração dos participantes.

Quanto tempo dura a Cerimônia de Chá?

A cerimônia completa pode durar quatro horas ou mais, e é dividida em quatro etapas. Muitas vezes nas apresentações para o público a cerimônia se reduz unicamente à ultima etapa que dura aproximadamente uma hora. Se um dia viajar ao Japão, recomendo que reserve um espaço na sua agenda para participar da cerimônia completa.

Passos da Cerimônia Japonesa do Chá

Kaiseki: uma comida leve

Na primeira etapa da cerimônia é servido uma comida leve, na qual ainda não se bebe o chá. A cerimônia se desenvolve com todos os participantes dentro da casa de chá ajoelhados sobre o tatame que cobre o chão.

Enquanto os convidados estão reunidos na sala de espera, o mestre de cerimônias surge e os conduz pelo caminho do jardim até o salão principal. Ao lado desse caminho há um recipiente de pedra ou uma fonte com água fresca, na qual se lavam as mãos e a boca. Os convidados entram ajoelhados na sukyia ou casa de chá. Cada um se ajoelha diante do nicho ou tokonoma e faz uma reverência respeitosa. Admira-se a obra de arte apresentada, como uma pintura colocada na parede ou um arranjo floral. Serve-se o kaiseki, que termina com alguns doces como uma espécie de sobremesa.

Naka-dachi: pausa intermediária

Quando o mestre de cerimônias indicar, os convidados se dirigem a um banco colocado no jardim ao redor da casa de chá. Antes de regressar à sukiya devem lavar as mãos e a boca novamente.

Goza-iri: a fase principal na qual se serve o chá espesso

O anfitrião faz soar um gongo de metal 5 ou sete vezes. Os convidados regressam então à casa de chá. A gravura ou pintura não está mais na parede e em seu lugar se vê um recipiente com flores ou algum outro objeto de apreciação, como uma caligrafia.
Os recipientes de cerâmica para a água e o chá estão colocados em seus lugares. Os convidados admiram o objeto de apreciação e o bule de chá.
O mestre de cerimônias prepara o Koicha: o chá matcha espesso. O convidado principal se levanta da posição de joelhos para pegar a tigela, coloca-a na palma da mão esquerda, ao mesmo tempo que a segura por um dos lados com a mão direita. Toma um gole, aprecia seu sabor e toma outros dois ou mais goles. Limpa a parte da borda da tigela na qual tocou os lábios. Passa a tigela ao convidado seguinte que repete as operações do convidado principal. Finalmente o convidado principal entrega a tigela ao mestre.

Usucha: fase final, na qual se serve o chá fino.

Se prepara o chá individual para cada convidado com duas colheres de matcha. Cada convidado deve beber sua tigela inteira. Depois que cada convidado bebeu seu chá, devolve seu copo ao mestre, que o limpa com água e depois com um chakin (guardanapo de linho).
Uma vez que o mestre de cerimônias retira os utensílios da sala, faz uma reverência em silêncio perante os convidados a partir da qual indica que a cerimônia terminou. Os convidados então retiram-se da sukiya.

Como posso aprender mais sobre a Cerimônia Japonesa do Chá?

Na academia do El Club del Té contamos com diferentes atividades que permitirão adentrar no mundo do chá japonês e de sua cerimônia. Nossas atividades possuem um distintivo nível de profundidade e são desenvolvidas para os amantes do chá e para profissionais da indústria. Começando pelos workshops, que são encontros de meio período nos quais dedicamos algumas horas para descobrir chás diferentes e nas quais poderá conhecer diferentes graus, qualidades e formas de preparação do chá matcha. Também convidamos a descobrir outros chás do país do Sol Nascente em nosso Workshop de Chá Japonês. Em seguida, no curso de Sommèlier de Chá do EL Club del Té conhecerá os fundamentos filosóficos e culturais desta cerimônia, assim como aprenderá a bater corretamente o chá verde matcha. Se deseja especializar-se nas cerimônias de chá e dominar sua arte, oferecemos a possibilidade de formar-se como Tea Master, alcançando o máximo nível de capacitação no mundo do chá.

Ceylon OP1

Um dos chás preto mais reconhecidos do mundo é elaborado no Sri Lanka e é chamado de chá do Ceilão (ou Ceylon, em inglês). Nesse post convidamos você a descobri-lo…

Hoje vou apresentar um chá preto clássico, um dos preferidos para o café-da-manhã e para o chá das cinco. Trata-se do chá preto Ceylon OP1. Um chá elegante e complexo. Vejamos suas principais características:

Perfil sensorial do chá preto Ceylon

O Ceylon OP1 ou chá preto Ceilão é um chá de grande corpo, com sabor intenso e final adstringente. Em seu aroma predominam as notas a tabaco, madeira, ameixas secas e algo cítrico como casca de laranja confeitada. É bem redondo na boca e, sobretudo, muito persistente.

Propriedades do Beneficios e propriedades do Chá negro Ceylon

Por seu conteúdo de cafeína, o chá negro Ceilão é uma ótima opção para aliviar a fadiga e a sensação de sonolência, uma vez que ajuda a manter a mente alerta de forma muito suave, graças a outros compostos que possui os quais diminuem a absorção da cafeína. Outro benefício de consumir o chá Ceylon consiste em seu alto conteúdo de flúor. Essa substância, encontrada em grande quantidade nos produtos de higiene bucal, complementos alimentícios e outros produtos farmacêuticos, fortalece os dentes, tornando-os mineralizados e consegue assim prevenir enfermidades, como as cáries. Da mesma maneira, o flúor ajuda a fortalecer os ossos. Uma das propriedades mais destacadas dos chás pretos é o seu efeito positivo sobre o sistema cardiovascular, contribuindo para diminuir o risco de enfermidades do coração e das artérias.

Características do chá preto Ceylon

Quantidade de chá em ervas por xícara: para prepará-lo ao estilo ocidental, colocamos 1 colher de chá por xícara. Se for adicionar leite ou preferir um chá muito intenso, pode usar uma quantidade maior de erva.

Temperatura da água: 75° a 90°

Tempo de infusão: 4 minutos

Quantidade de reinfusões: 2

Hora para beber: para os amantes de chá preto, o Ceylon é um chá que pode ser saboreado a qualquer hora do dia, mas eu recomendaria consumi-lo pela manhã. É um excelente companheiro para o café-da-manhã!

Consumo: esse chá se adapta muito bem a distintos tipos de preparação, tanto frio como quente.

Ingredientes adicionados: Pode ser bebido frio com uma rodela de limão ou laranja ou bem quente, ao que se pode adicionar um pouquinho de leite ou chantilly, de acordo com seu gosto pessoal. Se você aprecia os chás preto com grande corpo, então esse será um de seus chás favoritos.

Harmonização: O Ceylon OP1 é um par perfeito para os doces, tanto bolos, como cookies, biscoitos com frutas vermelhas, biscoitos de baunilha ou pudins.

Convidamos a conhecer mais em nossos workshops de chá

#ACulturaDoCha

Perfumistas: como usar suas técnicas para a análise sensorial do chá

Perfumistas: cómo usar sus técnicas para la cata del té

Os aromas e os perfumes estão intimamente relacionados com o ato de saborear o chá. Descubra como a ciência e a arte perfumista interagem com nossa percepção e aprecie melhor uma xícara de chá.

A análise sensorial do chá com técnicas de perfumistas: O prazer de descobrir

Antes de ser professora e antes até de ser a fundadora do El Club del Té, eu sou, sobretudo, uma amante do chá. Na minha vida diária o chá tem um papel fundamental. Assim como marcou meu passado com momentos inesquecíveis, o chá também embeleza meu presente com experiências maravilhosas as quais aprendi com os perfumistas e que aplico diariamente na análise sensorial. Da mesma forma, o chá é protagonista de incontáveis projetos e sonhos para o meu futuro.

O chá é uma experiência, e, como tal, cada um o vivencia à sua maneira. Há determinados dias em que eu prefiro não pensar em nada, simplesmente beber um chá saboroso e me deixar levar. Relaxo, alço voo e vivo aquele momento. Em outros dias, estou com espirito aguçado e gosto de explorar cada detalhe do chá que estou bebendo, observando diferenças com outras variedades ou colheitas distintas. Nesses dias eu me sinto feliz de ter uma formação científica que me ensinou a questionar o que vejo, a investigar o que descubro e a criar aquilo que necessito.

Quando iniciei minha jornada no mundo do chá, eu ainda trabalhava como engenheira e pensava com cabeça de engenheira (bom, na verdade, uma vez engenheiro, sempre engenheiro)! No momento de procurar informações sobre chás que eu não conhecia, me deparava com descrições do estilo “este é um chá suave e aromático” ou “este é um chá intenso e delicioso”. Mas essa informação não me bastava! O chá nos oferece um mundo imenso para descobrir através dos sentidos! Porque ninguém oferecia descrições mais técnicas e completas sobre o chá? Porque a ciência não havia incursionado nesta bebida tão saborosa e milenar? Por isso que, em 2009 me dediquei a desenvolver a técnica de análise sensorial de chá, a qual fui transformando ao longo dos anos de forma a adaptá-la às novas necessidades e visões das pessoas que fazem uso dela. Me formei como perfumista em Grasse, França, investiguei as neurociências, e no ano de 2010, publiquei a técnica de análise sensorial na primeira edição de meu livro “Manual do sommelier de chá”. Em 2013 apresentei essa metodologia em uma conferência na World Tea Expo (A Exposição Mundial de Chá), e obtive uma grande aceitação, de forma que atualmente essa técnica é utilizada por profissionais de chá de todo o mundo.

É incrível como a ciência, as técnicas de perfumista e o amor pelo chá podem se fundir tão amigavelmente de forma a melhorar a descoberta e a apreciação do chá.

técnicas de perfumistas para la cata del té

Os aromas e os perfumes estão intimamente relacionados com a apreciação do chá. Descubra como a ciência e a arte perfumista se relacionam com o chá.

O que é a Análise sensorial do chá?

A analise sensorial ou cata é o processo pelo qual percebemos as propriedades organolépticas de uma alimento e as descrevemos. As propriedades organolépticas são as características físicas que certo produto possui e que podemos perceber através dos sentidos, como por exemplo a textura, a cor e o odor. A análise sensorial é uma metodologia que permite, mediante uma série de passos determinados, estudar o chá em suas três fases: as ervas secas (folhas secas ou simplesmente “chá”); as ervas umedecidas (folhas umedecidas ou infusão); e o licor (o líquido que obtemos quando fazemos a infusão das folhas de chá). Seu objetivo é identificar e descrever o perfil sensorial do chá, composto pelas características organolépticas que identificamos e interpretamos através dos cinco sentidos.

las técnicas de perfumistas se aplican en la cata del té

Técnicas de perfumistas para a análise sensorial do chá

No curso de analista sensorial de chá incorporei técnicas de treinamento do olfato utilizadas por perfumistas, uma vez que é extremamente importante o conhecimento dos aromas na análise sensorial do chá. O sentido do olfato é tão poderoso e interfere de maneira decisiva na análise sensorial do chá. O sentido do olfato tem a capacidade de detectar um enorme número de odores, enquanto a boca, por exemplo, tem capacidade de detectar um número determinado de gostos: somente os cinco gostos básicos, nem um a mais.

O uso das neurociências para a análise sensorial do chá

As neurociências são um conjunto de disciplinas científicas que estudam a estrutura, o funcionamento, a bioquímica, a patologia, as interações e o desenvolvimento do sistema nervoso. Existem numerosas investigações neste ramo da ciência que demonstram como nosso cérebro funciona, como aprende, e como nossas ações podem modificar o funcionamento e até a fisiologia do cérebro. Dado que as emoções e as sensações (como a percepção de odores) estão diretamente relacionadas com os processos que ocorrem no cérebro, veremos que, trabalhando nossa conduta (treinando a forma com que degustamos o chá) podemos melhorar a percepção sensorial.

Como sempre digo, descobrir a origem de cada chá representa uma viagem emocionante ao coração da milenária cultura do chá.

Perfumista del té

O que é o curso de analista sensorial de chá e porque utiliza técnicas de perfumistas?

O curso de analista sensorial de chá é uma especialização para o sommèlier de chá, na qual treinamos a análise sensorial para aperfeiçoar a técnica de degustação (cata) e aguçar a percepção dos aromas, gostos e demais atributos do chá.
No curso estudamos a análise sensorial do chá, fazendo uso de técnicas utilizadas na indústria de perfumaria, as neurociências e as ciências sensoriais. A prática enfoca a análise sensorial, estimulando os sentidos para descobrir o chá de uma forma detalhada e profissional. Pela primeira vez a perfumaria e a ciência se colocam à serviço do chá em uma capacitação destinada a treinar o olfato e a desenvolver os sentidos visando aperfeiçoar a degustação e o prazer de saborear o chá. Não perca essa oportunidade, é uma experiência única!!

#LaCulturaDelTe

A rota do chá: Viagem a Grasse – o paraíso dos Tea Blenders

Paisaje de Grasse

O Tea Blending é a ferramenta perfeita para expressar sentimentos e conectar pessoas ainda que elas estejam longe umas das outras. Esse despertar dos sentidos diminui as distâncias e harmoniza a dança das almas.

Viajar para Grasse

Como Tea Blender vivo buscando novos ingredientes como especiarias, flores, frutas e essências (além do chá) para poder criar mesclas de chá que tragam realmente algo novo, que sejam originais e únicas. Por isso, dessa vez a jornada do chá me levou à Grasse. A menos de uma hora de carro de Nice, no sul da França, existe uma pequena cidade que eu chamo de “o paraíso dos tea blenders”. Ainda que não se trate de uma zona produtora de chás, para nós, os alquimistas de chá, Grasse tem um papel importantíssimo, uma vez que o uso de essências é fundamental para nossas mesclas de chá, e Grasse, definitivamente, é o lugar aonde você encontra a origem dos aromas e sabores.

O objetivo de minha viagem foi o de realizar cursos de perfumistas para melhorar meu manuseio de essências e visitar várias fábricas que elaboram sabores e aromas para a indústria dos alimentos e de perfumes. Grasse é conhecida mundialmente como a “capital internacional do perfume” porque, desde a Idade Média, a região tem se especializado na produção de plantas e flores das quais são extraídas essências comestíveis e para uso em perfumaria.

As rotas que levam à Grasse desde o Mediterrâneo atravessam pequenos povoados medievais nas encostas das montanhas e estão rodeadas de flores como lavanda, jasmim, nardo e rosas. Quando cheguei era começo de primavera e a região estava recoberta de um amarelo luminoso que desprendia um aroma melado e delicado: era o tempo da mimosa amarela. Só o fato de percorrer essas estradas já era uma viagem para os sentidos! Me lembro da emoção que senti, logo que deixei o aeroporto em Nice, ao ir percorrendo esses caminhos verdes, entremeados por pontos de cor ouro, rosa, violeta, e que nos brindam com rajadas de perfume de flores, aromas a caramelo e fragrâncias diversas que emanam das muitas fábricas que se encontram pelo caminho.

Minha estadia em Grasse foi mágica! Cafés-da-manhã inesquecíveis em varandas de onde se avistava o vale, chá preto defumado e “pain au chocolat”. Longas caminhadas, visitas à fornecedores e sessões de perfumaria de vanguarda; gente particularmente amável, orgulhosa de seu trabalho e de sua tradição perfumista; e a gastronomia local que encerrava longos dias de trabalho com incríveis tabuas de queijos e vinhos.

O papel do aroma nas mesclas de chá

O aroma sempre teve um papel essencial nas composições sensoriais. Atualmente, nós, os tea blenders, os novos alquimistas, somos quem as utilizamos em nossas mesclas de chá para dar espírito, vida e significado às nossas criações.

As essências são os ladrilhos fundamentais que utilizamos, junto aos demais ingredientes, para gerar o sabor final de um blend de chá (Camellia sinensis). Sabendo como utilizar corretamente as essências, podemos ter uma ferramenta poderosa para atingir a harmonia e profundidade em um tea blend.

Eu, por exemplo, tenho costume de misturar diferentes essências visando um aroma determinado para utilizar em cada um dos meus blends aromatizados. Dessa forma, consigo atingir uma complexidade maior no perfil aromático de minhas mesclas de chá além de aromas únicos, exclusivos, diferentes de todos os blends existentes na indústria.

Como sempre digo, com o conhecimento e o correto uso das essências, podemos gerar sensações, despertar sentimentos e evocar recordações através de uma simples xícara de chá. Esse é o maior desafio para os novos tea blenders e a parte que carrega uma conotação mais espiritual: sendo profissionais em contato permanente com diversos produtos da terra, graças às essências, temos uma ponte que nos leva ao céu.

Vídeo: Viagem a Grasse, França

A Cerimônia de Chá Marroquina

ceremonia

A cerimônia de chá marroquina é uma das mais reconhecidas e celebradas no Ocidente, juntamente com a cerimônia chinesa e a japonesa. É um costume, que em algumas localidades da Espanha já faz parte da paisagem e dos passeios obrigatórios dos finais de semana. Nas casas de chá de estilo árabe é possível aproveitar deste ritual sem a necessidade de viajar.

Como se prepara o Chá Marroquino ou Chá Mouro

O chá marroquino ou chá mouro é uma mistura de chá verde chinês (geralmente Gunpowder ou Chun Mee), folhas frescas de menta e muito açúcar. Em árabe chama-se شاي بالنعناع – shay vi l-na’ana, ou simplesmente Shay. Nas ruas é normal encontrarmos burros que carregam menta recém cortada, e o açúcar vem comprimido em cones sólidos de uns 20 ou 30 cm de altura que são quebrados por aqueles que preparam o chá utilizando pequenos martelos para separar a quantidade necessária.

té en Marruecos

O chá marroquino é amargo, uma vez que o preparam com água fervendo e, ás vezes chegam até a ferver as folhas por alguns minutos no fogo, em modo de decocção. Por outro lado, é também uma bebida muito doce, já que para contrapor o amargor gerado na preparação, é adicionada uma grande quantidade de açúcar.

Mas a grande estrela do chá mouro é a menta. Não podemos fazer um bom chá marroquino sem um punhado de menta ou hortelã frescos.

Ingredientes Do Chá Marroquino:

Para fazer um bom chá marroquino você precisará de:

  • Chá verde chinês em folhas a granel (gunpowder ou chun mee)
  • Folhas frescas de menta (cortar em pedaços grandes)
  • Açúcar branco em torrões ou solto
  • Água quente

Utensílios da Cerimônia do Chá Marroquino

O chá no Marrocos é parte de sua cultura. Tomar o chá no país é um costume cotidiano e popular. Todo mundo bebe chá no Marrocos e com um estilo especial, por isso o chamam de o “whisky berbere”. Os berberes são as pessoas que habitam o sul do Marrocos e outros países do Magreb – o norte da África – e formam uma das etnias originárias do lugar. São pessoas do deserto e da montanha. Têm os olhos de uma cor verde luminoso que contrasta com seu tom escuro de pele.

Chá em árabe se chama Shay. Se bebe como sinal de amizade, se oferece como cortesia antes de fazer negócios ou em reuniões sociais. Recusar uma xícara de chá é considerado uma falta de respeito e educação. Quando viajar ao Marrocos, não deixe de aceitar os pequenos copinhos de chá quente que são oferecidos em todos os comércios, pois além de ser um gesto de hospitalidade é uma bebida deliciosa!!

Historia do Chá no Marrocos

Contam que durante os séculos XVII e XVIII o chá começou a surgir no Marrocos pelas mãos de diplomatas europeus que levavam caixas dessa infusão como presente para o rei do país. Mas existe um registro de que o chá foi introduzido de forma comercial pelos ingleses, que por volta da metade do século XIX levaram ao porto de Tanger um carregamento de chá verde chinês cujo destino original eram os países do Mar Baltico, mas que, devido a Guerra da Crimeia, acabou encontrando outro destino. Em seguida os marroquinos tornaram-se fãs dessa bebida.

Como é feita a Cerimônia do Chá Marroquino

A cerimônia do chá marroquino é um ritual que se originou com o decorrer dos anos nesse charmoso país do norte da África. Quando eu viajei para o Marrocos para conhecer essa cerimônia me contaram diversas histórias sobre como esse ritual teve início.

Nas cidades do sul do país, a população berbere aumenta em proporção à etnia proveniente da Arábia Saudita. Os berberes são conhecidos como “o povo do deserto” porque habitam essa parte do Magreb desde milhares de anos, acredita-se.

Suas casas são construções de pedra e barro e muitas vezes estão cavadas na terra, como covas com uma única saída para o exterior. Como vivem no deserto, muitas vezes obtém a água para beber de poços pouco salubres. Por isso começaram a ferver a água para deixá-la mais apta ao consumo. Para dar-lhe um sabor mais agradável, algumas vezes acrescentavam ervas como a menta ou hortelã, outras vezes agregavam especiarias como o cardamomo e a canela e, também, flores de laranjeira. Com a chegada do chá e do açúcar pela mão dos europeus, essa água quente com menta se transformou em chá verde com menta e açúcar.

Cerimônia do Chá no Deserto

Dizem que no deserto, os grupos de caminhantes que dirigiam as caravanas comerciais para Tombuctú, na rota transaariana, e também para outras cidades costeiras e do Levante, descansavam em barracas de tela chamadas jaimas, que permitem proteger do frio (e dos animais) além dos maus espíritos que habitam as dunas.
Nas jaimas os caminhantes sentavam em círculo ao redor do fogo, contavam histórias do deserto e bebiam chá.

Outras formas de preparar o Chá tipo Árabe

Em alguns rincões do Magreb e do Levante, existem variações da preparação do chá e em seu serviço. Em Túnez, por exemplo, além da menta, adicionam alguns pinolis que dão um sabor muito especial. Na Turquia bebe-se chá preto com maçã ou simplesmente infusão de maçã, enquanto no Egito gostam muito da infusão de hibiscos (Karkadé ou Karkaday). Nos povos mais próximos ao Mediterrâneo costuma-se adicionar um pouquinho de água de flor de laranjeira ou água de rosas, conseguindo assim um aroma inebriante…

Se ainda não experimentou, venha ao Club que lhe faremos companhia nessa descoberta!

A “cata” do chá: desmascarando mitos

cata/tazas

A análise sensorial ou “cata” do chá é um processo pelo qual buscamos identificar o aroma, a cor, a forma a textura, o gosto e outros atributos ou qualidades do chá, expressando-as através de palavras.

Degustação de chá: desmistificando mitos

Dominar a cata do chá leva tempo, dedicação e, sobretudo, requer muita paciência e disciplina. Mas todos nós temos a capacidade de nos transformarmos em analistas sensoriais ou “catadores” de chá. Com certeza alguma vez você se perguntou sobre o que seria necessário para ser um bom “catador” de chá, ou se por acaso as pessoas experts nesta matéria têm os sentidos mais desenvolvidos que os demais. A resposta é simples: todos, absolutamente todos nós podemos “catar” chá. Salvo aqueles que possuem alguma condição médica que os impeça de utilizar algum de seus sentidos como o olfato (anosmia) ou o gosto (ageusia), todas as pessoas podem treinar para “catar” chá de forma profissional.

Se você está começando seu caminho junto ao chá e deseja tornar-se em um “catador” profissional, recomendo começar formando-se como Sommelier de Chá. para depois especializar-se no uso dos sentidos no curso de Analista Sensorial de chá.

Enfim, mas o que seria exatamente a definição de “cata” do chá? A “cata” do chá é um processo pelo qual buscamos identificar o aroma, a cor, a forma, a textura, o gosto e outros atributos ou qualidades do chá, expressando-as através de palavras. No entanto, para ordenar toda essa informação é necessário contar com um método, uma série de passos determinados, como estabelece a técnica de “cata”.

O Desenvolvimento da Técnica de “Cata” do Chá

Quando iniciei no mundo do chá eu ainda trabalhava como engenheira e tinha a necessidade de contar com informação formal e estruturada para poder estudar e entender as coisas. Por exemplo, quando buscava informação sobre chás que eu não conhecia me deparava com descrições como “esse é um chá suave e aromático” ou “esse é um chá intenso e delicioso”. Mas, obviamente, essa informação não era suficiente para mim. O chá nos oferece um mundo imenso para descobrir através dos sentidos! Porque então ninguém expressava descrições mais técnicas e completas sobre o chá?

É por isso que decidi trabalhar no desenvolvimento de uma técnica de “cata” a qual fui transformando com os anos para adaptá-la às novas necessidades do mercado. Eu a criei em 2009, no ano seguinte, em 2010, formalizei a técnica na primeira edição do Manual do Sommelier do Chá e, em 2013, a apresentei em uma conferência na World Tea Expo (a feira mundial de chá que é realizada anualmente nos Estados Unidos). Essa metodologia teve grande aceitação e hoje é utilizada por profissionais do chá de todo o mundo.

Resumindo, e para que seja bem fácil de entender: a técnica de “cata” permite estudar o chá em suas três fases: a folha seca, a folha umedecida e o licor (o líquido que obtemos assim que se infusiona as folhas de chá). Seu objetivo é identificar e descobrir as características organolépticas do chá, como sua cor, forma, aroma, etcétera, com referência a elementos que conhecemos, desde uma perspectiva o mais objetiva possível. Assim, a técnica de cata permite realizar uma análise profunda de qualquer chá com um método científico, chegando a resultados mais confiáveis, além do contexto sociocultural da pessoa que executa a cata.

Por outro lado, certamente já ouviu falar da “degustação do chá”, mas você saberia dizer exatamente o que seria? É o mesmo que a “cata” do chá? A resposta é não. Para realizar uma degustação não é necessário nenhum tipo de treinamento prévio. Na “cata” do chá, como disse anteriormente, é realizada uma análise sensorial para a avaliação do chá e, por ser um método científico experimental, tem a diferença de que permite chegar a resultados confiáveis, medíveis e comparáveis.

Se quiserem aprender a usar seus sentidos para desfrutar o chá, convido vocês a lerem meu novo livro “La cata del Té” (em breve também em português!)

A Finalidades da “Cata” do Chá

Se você é um amante do chá, certamente gostaria de poder diferenciar os diferentes tipos de chá, descrevê-los corretamente e selecionar aquele mais adequado para uma harmonização gastronômica. Se possui um negócio de chá, saber “catar” de forma profissional permite que se destaque da concorrência através do conhecimento. Quando mais saiba sobre o produto que vende, mais poderá chegar perto de atender as necessidades de seu cliente! A técnica de “cata” permite isso: estudar tecnicamente o chá para poder descrevê-lo de forma profissional.

A “cata” do chá pode ter distintas finalidades circunstanciais, como algumas dessas, tomem nota:

  • Realizar uma “cata” por puro prazer ou diversão.
  • Avaliar e selecionar um chá para consumo pessoal.
  • Realizar uma “cata” com finalidade educativa, informativa ou comercial.
  • Conhecer o perfil sensorial de um determinado chá. Distinguir suas características organolépticas, suas fortalezas e fragilidades.
  • Analisar o estado de conversação de um chá.
  • Avaliar a qualidade de um chá.
  • Comparar chás de distintas colheitas, cultivares, origens, etc.
  • Avaliar e selecionar os chás para realizar uma compra.
  • Avaliar e selecionar chás para venda.
  • Avaliar a qualidade do chá durante sua evolução em armazenamento
  • Avaliar a qualidade do chá durante seu envelhecimento
  • Avaliar e selecionar um chá para usar como base em um tea blend
  • Avaliar e selecionar os chás para sua utilização em um serviço de chá.

Incrível como algo tão simples e cotidiano, como beber um chá, pode se transformar em toda uma experiência sensorial que nos transporta a um nível superior de conhecimento, descobrimento e prazer. O que você está esperando para viver essa experiência?

Chás do Ceilão: Benefícios e Propriedades do Chá do Sri Lanka

ceilán - paisaje

O chá de Ceilão é aquele que se produz na ilha de Sri Lanka, localizada no Oceano Indico ao sudeste da Índia. Ceilão ou Ceylon (nome que adotou o país durante o período em que foi colônia britânica) é o quarto produtor de chá do mundo, atrás da China, Índia e Quênia. Estima-se que sua produção anual beira os 328 mil quilos.

O QUE É O CHÁ DO CEILÃO

O chá de Ceilão é aquele que se produz na ilha do Sri Lanka, localizada no Oceano Índico a sudeste da Índia. Ceilão ou Ceylon (nome que adotou o país durante o período em que foi colônia britânica) é o quarto produtor de chá do mundo, atrás da China, Índia e Quênia. Estima-se que sua produção anual beira os 328 mil quilos.

O Sri Lanka é uma ilha que cresce em altitude em direção ao centro, o que favorece a distinção de altitude entre seus chás. Assim distinguimos os chás low-grown, crescidos em baixa altitude, entre 0 e 600 metros; os mid-growns, cultivados em altitude média, entre 600 e 1200 ms; e os chás high-grow, produzidos em grande altitude, acima dos 1200 metros.

O chá do Sri Lanka é produzido em sete regiões principais:

  • Sabaragamuwa (Low-grown), que inclui a capital da província, Ratnapura
  • Ruhuna (Low-grown) que inclui Galle
  • Kandy (Mid-grown)
  • Uda Pussellawa (Mid-grown a High-grown) I Nuwara Eliya (High-grown)
  • Uva (High-grown)
  • Dimbula (High-grown)

Ainda que o maior volume de produção seja de chá preto, algumas plantações elaboram chá verde e em menor quantidade, chá branco.

BENEFÍCIOS E PROPRIEDADES DO CHÁ DO CEILÃO

Quando nos referimos ao chá do Sri Lanka, falamos em geral do chá negro Ceylon, portanto, seus benefícios são similares a qualquer um dos chás desse tipo. No entanto, já se sabe que essa variedade pode conter mais cafeína que os chás pretos de origem chinesa, o que confere excelentes propriedades termogênicas, que ajudam a emagrecer, quando acompanhado de uma dieta adequada e de exercício físico. Dentre os efeitos da cafeína – substância que chás pretos possuem em maior quantidade em comparação a outros tipos de chá –  destaca-se seu poder estimulante, o que permite manter a mente desperta para os trabalhos intelectuais como o estudo, a redação de textos, etc.

O Chá preto também possui propriedades antioxidantes, ao mesmo tempo em que ajuda a controlar o colesterol e manter uma boa saúde dental. Além disso, contém minerais como zinco, cálcio, magnésio, potássio, ferro e flúor.

Ao contrário do que muitos acreditam, o chá negro não causa constipação, pelo contrário, ajuda a reestabelecer a flora intestinal, sendo assim um grande aliado para combater a disenteria.

COMO PREPARAR O CHÁ CEYLON

Dada a influência da tradição britânica no país, os habitantes do Sri Lanka normalmente bebem o chá puro, sem nenhum ingrediente adicionado, ou então com leite. Considerando que o chá Ceylon costuma ter um sabor intenso e algo adstringente, adicionar um pouquinho de leite e uma colherzinha de açúcar o faz mais agradável ao paladar, embora quando fazemos uma análise sensorial técnica do chá não devemos adicionar nada, para não esconder o verdadeiro sabor do chá.

Para preparar o chá Ceylon corretamente é importante respeitar as regras de temperatura e tempo de infusão para que o nosso chá não fique sem brilhos. A temperatura e o tempo de infusão adequados dependem do tipo de chá que vamos preparar, por exemplo:

  • Chá preto: 75º – 90º / 3 a 4 minutos de infusão
  • Chá verde: 70º – 80º / 1 a 2 minutos de infusão
  • Chá branco: 75º – 85º / 3 a 5 minutos de infusão

TIPOS DE CHÁ CEYLON

Chá preto:

Os mais conhecidos são o Ceylon OP1, Ceylon OP, Ceylon BOP.

Chá verde:

Como o Ceylon Green Waves, elaborado nas montanhas do Sri Lanka.

Chá branco:

o mais conhecido é o Ceylon Silver Needles.

Adoçantes naturais para o chá

É correto adoçar o chá? Essa é uma pergunta que sempre me fazem. Neste post vamos descobrir algumas alternativas naturais ao açúcar e aprender a escolher conscientemente.

É correto Adoçar o Chá?

Na hora de aproveitar uma xícara de chá muitas vezes surge essa pergunta: podemos adoçar o chá? Embora nas catas técnicas no El Club não utilizemos nenhum tipo de aditivo, para assim poder apreciar essa bebida milenar em sua maior expressão (sem nada que modifique seu perfil sensorial), quando vamos tomar o chá por “prazer” a situação é diferente.

Na cata técnica participam todos nossos sentidos, desde o olfato até o gosto. A experiência da cata técnica consiste em analisar diversos aspectos, entre os quais encontram-se atributos de qualidade diretamente relacionados com seu estado de conservação, ou com a presença ou ausência de defeitos. Dessa forma, ao adicionamos açúcar ou outro adoçante ao chá isso não permitiria apreciá-lo corretamente, uma vez que poderia disfarçar muitas de suas características.

Por outro lado, se o objetivo é simplesmente apreciar uma xícara de chá, na comodidade de sua casa ou em um encontro com amigos e sem fins técnicos, esses ingredientes adicionais são sempre permitidos. Como sempre, o importante é aproveitar um bom momento e escolher um chá que mais gostemos e da forma como mais apreciamos. Mas, então, como adoçar o chá? Para isso, existem inúmeras possibilidades que vamos ver em seguida: desde a clássica colherzinha de açúcar até alternativas mais saudáveis e naturais, ou ainda opções mais artificiais.

A alternativa natural ao Açúcar

Geralmente, quando falamos sobre o dulçor de um alimento o relacionamos diretamente ao açúcar, um adoçante de origem natural obtido a partir da cana de açúcar ou da beterraba-sacarina mediante procedimentos industriais. Dessa variedade de adoçante existem diferentes tipos:

  • Açúcar branco: para o processo de refinamento do açúcar branco são utilizadas inúmeras substâncias químicas como o ácido fosfórico. Por esse motivo se discute muito sobre seus possíveis efeitos prejudiciais para a saúde.
  • Açúcar demerara: o açúcar demerara é um açúcar refinado agregado ao melaço. Em alguns casos podem incluir colorantes.
  • Açúcar mascavo: embora sua cor seja similar ao açúcar demerara, é uma opção mais natural (obviamente sempre que consumido moderadamente), uma vez que não contém aditivos. Ao ser um alimento não refinado, conserva seus nutrientes.

No entanto, hoje em dia existem muitos estudos e artigos que recomendam a eliminação deste produto da dieta, ou, ao menos, a substituição do açúcar branco refinado por adoçantes naturais. Entre os vários argumentos para tanto, destaca-se o fato de que o produto refinado aporta somente calorias sem nenhum conteúdo nutricional, ou seja, calorias vazias, ausentes de vitaminas e minerais.

O que são os Adoçantes Naturais?

São chamados de adoçantes naturais os produtos que têm sua origem na natureza e não são químicos produzidos em fábricas ou laboratórios. São obtidos por meio de plantas ou sintetizados por animais, como é o caso das abelhas e do mel. Embora a grande maioria deles possua um alto valor calórico (como é o caso do mel) existem também alguns de baixo valor calórico, como a Stévia, e que incluem diferentes benefícios para a saúde. Na sequência, descubra todos os benefícios dos adoçantes naturais.

Tipos de Adoçantes mais comuns:

Entre os substitutos naturais, esses são os mais populares e, como dissemos, cada um deles conta com diferentes benefícios:

  • O chá com mel de abelha: além de ser delicioso, o chá com mel é perfeito para aliviar os sintomas da dor de garganta. O mel cru ou o mel manuka são os melhores.
  • O chá com stevia:é um dos substitutos naturais mais populares. É extraído de uma planta chamada Stevia rebaudiana, não contém frutose e sempre se recomenda escolher a folha de stevia moída. Para adoçar o chá há que considerar que as estimativas dizem que possui um poder adoçante 100 vezes mais potente do que o açúcar.
  • O chá com rapadura: é elaborado a partir de um suco extraído da cana de açúcar. Ao não passar por processos químicos nem contar com aditivos ou conservantes, é considerado o mais puro de todos os açucares.
  • O chá com xarope de Yacon: é muito escolhido por suas propriedades nutricionais e medicinais.
  • O chá com Maple Syrup (ou xarope de bordo): o xarope de bordo é um doce fabricado a partir da seiva bruta de arvores do gênero Acer: acer açucareira, acer vermelha ou negra, conhecida popularmente no Brasil como bordo.
  • O chá com melaço: também é conhecido como mel de cana; sua cor é mais escura e seu sabor mais intenso que o mel de abelha. É muito nutritivo e rico em cálcio, ferro e potássio, entre outras propriedades.

Em relação aos adoçantes artificiais, os mais conhecidos são a sacarina e o aspartame: seu poder adoçante é maior que o do açúcar, razão pela qual é necessária uma menor quantidade para adoçar uma comida ou bebida.

Ertá na hora de esquecer os Adoçantes Artificiais.

Assim como acontece com o restante dos alimentos, a escolha do que ingerimos em nosso dia a dia dependerá de cada um e, atualmente, existem no mercado todos os tipos de opções.
Embora o valor calórico dos adoçantes artificiais seja muito menor do que o do açúcar e seus substitutos naturais, o que geralmente os torna uma alternativa atraente, isso não os faz mais saudáveis. Basicamente, os adoçantes artificiais não possuem os nutrientes naturais do açúcar e, como seu nome define, são produtos artificiais.
Por isso, a pergunta deve ser: realmente queremos incorporar em nosso organismo produtos ultraprocessados, ou seja, que são totalmente elaborados em um laboratório mediante inúmeros processos industriais? Se a resposta é não, os substitutos naturais do açúcar são uma opção válida.

Por que devemos substituir o açúcar?

De acordo com o que recomenda a Organização Mundial da Saúde, o açúcar não deve corresponder a mais do que 10% do total das calorias diárias, tanto em crianças, como em adultos. Significa dizer que, para uma dieta de 2000 calorias (a ideal para um adulto saudável), essa porcentagem representa cerca de 50 gramas de açúcar, o equivalente a umas 12 colheres de café. Embora considere como tolerável esses 50 gramas ao dia, na verdade, aconselha-se um máximo de 25 gramas, ou seja, a metade dessa quantidade.
Dessa forma, de acordo com a recomendação da OMS, provavelmente a maioria das pessoas deveria fazer um ajuste em sua alimentação. Exatamente nesse ponto é que aparecem os adoçantes naturais, os quais abordamos como uma alternativa frente ao açúcar branco. Mais cuidado! Ainda que esses adoçantes sejam mais saudáveis, não deixam de serem açúcar, e por isso, é sempre necessário moderar seu consumo.

Como substituir o açúcar?

Tanto para o chá como para qualquer outro tipo de preparação doce, a verdade é que o açúcar sempre foi considerado o adoçante por excelência. Se durante anos só possuíamos essa opção como válida, para substituí-la- quer seja por adoçantes naturais ou artificiais- é necessária uma mudança de hábitos. E isso requer tempo. Dessa forma, a chave é começar devagar, pouco a pouco escolhendo conscientemente qual combustível queremos dar a nosso corpo. Uma boa maneira é estabelecer mudanças lentas: um dia, experimente colocar menos quantidade de açúcar; na semana seguinte, tente substituí-lo por mel e assim, sucessivamente até chegar a uma quantidade de adoçante que permita apreciar o chá da melhor maneira possível. E, claro, no mundo do chá, aqueles que sabem prepará-los corretamente, …já devem ter percebido que não é necessário adicionar açúcar, uma vez que sozinho, sem qualquer outro ingrediente, o chá já é delicioso!

#ACULTURADOCHÁ

O grande mito do chá derrubado pelas Neurociências

Criou-se o grande “mito” no mundo do chá pelo fato de que algumas pessoas afirmam ser necessário ter um nariz especial para fazer uma análise sensorial (“catar” o chá) ou para criar blends.

“Saber que se pode, querer que se possa, esquecer-se dos medos, jogá-los fora”.
Color Esperanza
Diego Torres, letra de Coti Sorokin

O GRANDE MITO DO CHÁ DERRUBADO PELAS NEUROCIÊNCIAS

¿es verdadero el viejo mito del té?

O grande mito do chá foi criado por pessoas que afirmam que é necessário ter um nariz especial para “catar” o chá ou para criar blends. Alguns argumentam que nasceram com um “olfato especial” que lhes permitiria identificar aromas de uma maneira extraordinária. Diante disso, eu me pergunto: os milhares de “catadores” de chá do mundo teriam então um “olfato especial”? Qual é o mérito em nascer com uma determinada carga genética? Seria isso suficiente ou necessário para transformar-se em um profissional do chá? Por sorte, existe a ciência, e em particular, as neurociências que nos ajudarão a derrubar esse mito infundado.

O QUE SÃO AS NEUROCIÊNCIAS?

As neurociências são um conjunto de disciplinas cientificas que estudam a estrutura, o funcionamento, a bioquímica, as patologias, as interações e o desenvolvimento do sistema nervoso. A função principal das neurociências é encontrar uma explicação para o funcionamento das células nervosas que se encarregam de gerar os comportamento , e ainda como essas células são influenciadas pelo meio ambiente que nos rodeia. Nesse post vou contar como as neurociências demonstram que você pode transformar-se em um catador de chá e que é um mito que somente algumas pessoas privilegiadas poderiam fazê-lo.
Existem numerosas investigações nesse campo da ciência que demonstram como funciona nosso cérebro, como aprende e como nossos comportamentos podem modificar o funcionamento e até a fisiologia deste órgão. As emoções e as sensações estão diretamente relacionadas com os processos que ocorrem no cérebro.

O CONHECIMENTO DAS NEUROCIÊNCIAS PARA DERRUBAR O MITO

¿existe el mito del té sobre el olfato?

O ato de cheirar ou saborear um chá, ainda que pareça muito simples, na verdade utiliza uma estrutura complexa em nosso organismo formada não somente pelos sentidos receptores dos estímulos do exterior, mas também por esse poderosíssimo maquinário de análise e processamento que é o nosso cérebro.
Durante toda a vida nosso cérebro vai criando diferentes conexões (novas sinapses) que são ativadas por determinados processos mentais e estímulos do exterior, e isso é o que estudam (em parte) as neurociências. Isso é possível porque nosso cérebro é matéria, um órgão como outros mais que temos em nosso organismo.

Está provado que o exercício mental, como o estudo, a aprendizagem ou o treinamento em novas atividades faz com que o cérebro crie novos neurônios e novas conexões neurais, mantendo-se jovem e aprendendo também a destravar esse mecanismo vicioso pelo qual as respostas aos estímulos são somente uma aproximação da realidade: uma rápida seleção que o sinal encontra para aquilo mais parecido com o real, buscando com isso economizar energia. Essa informação trazida pelas neurociências lança um raio de luz sobre o grande mito preexistente a respeito do chá.

Com isso fica demonstrado que para aprender a “catar” o chá de forma profissional não é necessário ter tantos talentos inatos (o mito o chá). Com um treinamento profissional e prática constantes qualquer pessoa poderá treinar seu cérebro para realizar “catas” de chá de forma profissional e aproveitar plenamente todas as experiências sensoriais que o chá nos proporciona.

el mito del té: hay que tener un olfato especial

Isso significa que a aprendizagem e a prática constantes são uma ferramenta fundamental para o treinamento e o desenvolvimento da percepção, assim como para a geração e alimentação da memória sensorial, e por consequência, para melhorar a experiência da “cata”. Não é verdade que é necessário ter um nariz especial para catar o chá ou para criar blends. Esse mito do chá foi possivelmente criado para desanimar os empreendedores e assim diminuir a competição, mas agora sabemos, graças às neurociências, que isso carece de qualquer fundamento científico.

Desde o ano de 2009 tenho treinado “catadores” de chá, e a maioria deles vêm em meus cursos sem esperança, com a convicção de que serão observadores ao invés de protagonistas. Quase todos eles terminam o curso não somente sabendo “catar” como com um sentimento de euforia, com a autoestima renovada e com muita vontade de seguir se aperfeiçoando, uma vez que descobrem que com estudo, treinamento e empenho conseguem superar seus medos e superarem a si mesmos. Se não acreditam em mim, veja o que dizem nossos alunos!

Não se deixe amedrontar nem pelo fracasso próprio, nem por aqueles que as vezes desanimam os valentes que se arriscam a tentar. Muitas vezes o que acontece com os que falham é que nem todos possuem a tenacidade para percorrer o caminho do conhecimento e da perseverança para transformarem a si mesmos e se tornarem “catadores” de chá.

Dessa forma, querido #tealover”, somente depende de você tornar-se um bom “catador” de chá. Prepare-se para uma grande descoberta!

Fragmento do livro “La Cata del Té” de Victoria Bisogno